Nos dias em que deito na
cama em horário incomum, dias de menos trabalho que sobra um tempinho a mais
para mim, só pra mim, eu aproveito este tempo e faço meu filme de curta metragem
na minha imaginação, de forma abstrata, mas perfeito para a minha pessoa.
Mexo em meus arquivos e
encontro materiais de primeira para fazer feliz meu coração recordando momentos
felizes que vivi na minha iluminada vida.
Eu fui uma criança feliz,
muito feliz, brinquei muito na infância, as lembranças estão arquivadas até hoje.
Não era um menino filho de pessoa rica, talvez isso tenha contribuído para que
eu tivesse uma vida simples e repleta de histórias bonitas e divertidas.
Meus brinquedos eram os seguintes:
cavalo de pau, carrapeta, baladeira, bila, corrupio, carreta de lata de
sardinha, balanço, funda, pistola de talos de carrapateira... Sim, eu tinha também
um carrinho de plástico que amassava com qualquer coisa.
As brincadeiras eram
muitas, cademia, cair no poço, castelo com castanhas de caju, esconde- esconde,
policia e ladrão, pular corda, cobra sega, passa anel, o grilo, peteca e outras
que não encontro no momento.
O terreiro lá de casa, era
o lugar melhor do mundo, toda hora do dia eu tinha diversão, à noite o céu era muito
estrelado porque a civilização vivia a léguas dali. Minha mãe me apresentava as
estrelas, as três Marias, o cruzeiro do Sul, os olhos de santa Luzia, as sete
estrelas e muitas outras, afinal eram infinitas.
O cheiro de tudo aquilo
ainda está grudado em mim, basta lembrar que sinto o perfume da folha de catingueira
queimando para espantar os mosquitos, a fumaça da lamparina que tinha cheiro de
querosene, as pamonhas cozinhando, canjica morna no prato com canela e a espiga
de milho assada nas brasas do fogão à lenha. Sinto o cheiro de tudo até hoje.
Nenhum comentário:
Postar um comentário