Vilmar Bonora, morador de São
Miguel do Oeste, conta por que ele e o primo decidiram colocar os caminhões à
beira da BR-282
Ele não pertence a sindicato, tem apenas um caminhão,
mas foi quem desencadeou as manifestações que estão bloqueando as rodovias catarinenses.
Vilmar Bonora, 37 anos, que mora em São Miguel do Oeste, e o
primo Junior Bonora, decidiram colocar os caminhões na beira da BR-282,
no trevo que dá acesso à cidade e à SC-163. Passaram a convidar
os colegas ao protesto que já reúne cerca de 700 caminhoneiros somente em São
Miguel do Oeste, além de bloqueios em outros 15 pontos do estado. Bonora disse
que o movimento está forte e pode ficar até um mês no local, se for necessário.
Protestos
Bloqueiam trânsito para caminhões em rodovias do Oeste catarinense
Como vocês decidiram iniciar o
movimento?
Vilmar
Bonora: Tivemos contato com motoristas de
Rondonópolis-MT e Cuiabá-MT. Eles iniciaram o movimento lá e eu liguei para
eles. No domingo passado conversei com o meu primo e decidimos que na
quarta-feira iríamos colocar os caminhões no trevo. Conseguimos mais um
caminhão e fomos atacando o pessoal e pedindo apoio. E eles foram parando.
Você esperava que o movimento tomasse essa dimensão?
Bonora: No
início não, mas depois o pessoal foi parando, motoristas de outras cidades
começaram a ligar. Aí fomos buscar o apoio dos agricultores e outras
categorias.
Como é a organização?
Bonora: Aqui
temos uma comissão de seis ou sete pessoas. Em cada cidade tem uma comissão.
Mas vocês já foram em reuniões no Paraná também, certo?
Bonora: Fomos
em duas reuniões em Marmeleiro e Barracão. O pessoal do Rio Grande do Sul
também deu apoio. Nós vamos decidir em conjunto.
Vocês estão obrigando os motoristas a pararem?
Bonora: No
início tinha gente que não queria mas acabou concordando em ficar. A gente
conversa e convence eles a ficarem.
Vocês liberaram as cargas vivas e leite com a adesão dos
agricultores, como está isso?
Bonora: Liberamos,
mas tem muitos que não estão transportando pois não tem como sair com a
produção da indústria.
O que vocês querem exatamente para liberar as rodovias?
Bonora: O
principal é a redução do imposto sobre o combustível. Foram aumentos seguidos e
o transporte está falindo. Queremos que o aumento seja vinculado ao barril de
petróleo. O petróleo baixou e o combustível aumentou. Atualmente sobra menos de
um real por quilômetro. E esse aumento reflete não só para nós. Quem paga
aluguel e tem família não consegue se sustentar com esse aumento da energia e
dos combustíveis.
Com quem vocês estão negociando?
Bonora: Passamos
nossas reivindicações para deputados, chamamos os prefeitos para uma reunião,
queremos que o ministro dos transportes ou da agricultura venham para cá ou
então que nos recebam para uma audiência em Brasília.
Vocês vão sair com essa audiência?
Só vamos sair com papel assinado, não só com promessas. Estamos dispostos a
ficar 30 dias se for necessário. Isso não é uma greve, é uma questão de
sobrevivência
DIÁRIO CATARINENSE
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